sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E agora, um pouco de graça para nossa sexta-feira

Crônica de Ricardo Freire publicada no caderno Guia do Estadão, de 16/01/2009

Conforme eu já imaginava, 2009 começou provocando um profundo desacordo ortográfico entre mim e a língua portuguesa. É impressão minha, ou todos os jornais, revistas e sites fazem questão de estampar manchetes contendo a terceira pessoa do singular do verbo estrear? Trata-se de umas das poucas palavras para as quais ainda não encontrei sinônimo que não tenham sido pervertidos pela nova ortografia.
Eu me recuso a embarcar nessa canoa tão rápido assim. Tenho certeza de que daqui a três anos, data marcada para o acordo vigorar oficialmente, Portugal terá caído fora, e alguma mente elevada decidirá que todos os acentos serão opcionais. Mais ou menos como a pontuação. Quem precisa de um trema da mesma maneira que precisa de um travessão ou de um ponto-e-vírgula (presente!), que use, cacilda.
Enquanto isso não acontece, já tomei minhas resoluções ortográficas de ano novo. Percebi que a sentença de morte ao trema foi parcialmente compensada pela reabilitação do ‘w’ como letra oficial do alfabeto. Resolvido um problema. Agora escrevo tranqwilo, freqwente, sawgi e o pato vinha cantando alegremente qwen, qwen!
Com relação ‘aquela palavra associada ao transporte aeronáutico que define o que acontece entre um aeroporto e outro – e que foi severamente mutilada pela reforma, a ponto de comprometer a segurança dos passageiros no ar -, decidi passar a empregar um espanholismo. Vuelo. Não é simpático? “Nosso tempo vuelo de Congonhas ao Santos Dumont vai ser de 40 minutos.” Perfeito!
Sei também como proceder toda vez que precisar dizer que usei a imaginação para conceber um pensamento original. Tive uma eureka! É um pouco esquisito, concordo – mas não tanto quanto escrever a palavra tradicional sem o indispensável acento agudo.
Quebrei a cabeça para achar uma solução para a segunda do imperativo e a terceira do presente do verbo ‘parar’. Sem acento, as coitadinhas vão correr sem freio pelos parágrafos, causando sérios acidentes de leitura. Proponho a criação de um verbo novo: stopar. Não tem deletar, printar, linkar? Pois então. “O tempo não stopa”, diria hoje o poeta.
E vou ficando por aqui, antes que a revisão chegue e acabe com a minha festinha de desobediência civil...

Só um desabafo

Quanto sentimento sem explicação!
Que grande sensação, e maravilhosa,
ter isso por dentro, e nada por fora.

Que lindo seria se fosse assim todos os dias.
Mas que sem graça também...
se fosse sempre lindo!

Eu, Sassá

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Apenas um pequeno desconforto

Inquietação nº1

O Obama ligou para o Lula, mas nem o Obama nem o Lula ligam para mim.
Será que devem, será que irão?

"Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que niguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)"



Eu, Sara

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bem Vindos!

Felicidade é buscar alcançar os sonhos mais difíceis,
mas sobretudo tê-los.
É aspirar bons propósitos
e de preferência sinceros.

É também ter objetivos mundanos,
mesmo desejando que não os tivesse.

Felicidade é sorrir e chorar
e chorar de tanto rir.
É pensar que vai morrer
mas viver no instante seguinte.
É amargurar um amor perdido
e encontrar outro para amar.
É reviver uma dor,
não ter medo de sofrer,
brincar da vida
da aflição
e da angústia.

É se encontrar perdido, se ver distante,
e se reaproximar.

Felicidade é a arte de estar presente em si.
É compreender que a busca é infinita,
e que a luta é incessante.
Felicidade é ainda
saber que isso não é tudo.
Quais são seus sonhos?


Eu, Sassá