quinta-feira, 29 de julho de 2010

Perdido no espaço do tempo que não volta

Você, que chegou assim,
sorrateiro e sem querer,
que me disse que amizade
era algo raro de se ter
e difícil de se manter.

Você, que sem esperar
amarrou meu coração;
Numa amizade tão pura
Quanto a manobra inocente de se dar as mãos.

Você que também já viveu da angústia
Que também só procurou o amor
E que igualmente só encontrou
O trabalho árduo e a busca eterna,
O imenso caos da viagem sozinho.

Você que recusou a conquista oca
Que não pediu para vencer o vazio
Que me mandou caminhar na sombra.
Você que quis ser pintor.

Sim, você.
Que fez o que quis.
Que mandou quando pôde.
Que não me pediu perdão, e
Onde eu encontrei um irmão.

Você que nas palavras me conquistou,
Que nas angústias me alertou
Que o medo me fez perder
A ilusão de nos construirmos do nada.

Você, meu querido amigo,
Por quem eu vou torcer para que um dia
Vá dizer eu fiz,
Vá dizer eu quis
E vá pintar a vida.

Porque só dentro é que encontramos
a essência tão limpa, tão límpida e tão linda,
tão pura daqueles poucos que não sabem de onde são.

Eu, que não sei onde estou