sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quem me emprestou o que não tem

Um agiota roubou meu coração
Ele veio sorrateiro
Na minha alma se adentrou
E não teve compaixão.

Sem dó nem piedade
usurpou meus pensamentos
E numa brincadeira de dois corpos
na minha cabeça se instalou.

Falou sobre o amor
dos sentimentos
as dúvidas, as angústias, e a beleza
que não teve
Porque o canalha mentiu
Ou porque sumiu.

Foi um agiota,
Que veio e partiu
Transformou a minha vida
Num inferno da puta que pariu.

Eu, Luluzinha

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Espaço

Em que mundo será que se esconde
a criança moleca, o artista sem beca
de nossos primeiros tenros anos?



Por que terras será que se esvaem
A amizade marota, o caminho sem rota
Que conduzidos em segredo,
iam longe dos temores e dos medos?


E agora, então,
Para onde é que vão,
Longe das fronteiras das idades
Aquilo tudo que lhe prometeram,
Todos aqueles que agora se esqueceram?


Os sonhos ingênuos, a coragem e a saudade,
Nesta geografia do amanhã
Não puderam ser levadas.
Foram renunciadas,
numa luta de titãs.

Sem nem perguntar nem querer saber,
lhe disseram ser possível
caminhar sobre o intransponível.
Mas sem despedida ou perdão,
Correram para longe
dos sentimentos e da visão
Todos aqueles que antes
Haviam lhe dado as mãos.

Porém como todos
Que cruzaram seu destino,
Que foram amigos de alma
E os fantasmas do passado também,
um dia irão voltar.
Lembrarão aí,
que é preciso perdoar
pedirão talvez, por recompensas.
mas não mais se esquecerão
que na vida é preciso amar.

Mas quando este dia chegar
O que será que irão pensar
As pessoas por quem tinha carinho,
Quando decidir que vai seguir sozinho?
O que irão dizer
aqueles que nada te disseram
quando te deixaram e se perderem,
nas promessas e nas conquistas
Que se ergueram e se ruíram
Naquele extenso mundinho
Por todo o seu globo terrestre?

Porque a gente vai crescendo
A gente vai contente
Mas a gente cai de repente
No estupendo mundo dos homens.

E então,
se puder continuar
criança,
Poderá também sorrir
Poderá ousar
E saberá criar
A ponte entre o ontem, o hoje e o amanhã.
Entenderá que da perda
Pode vir a conquista,
E compreenderá por certo
a fala dos pássaros
das plantas
E dos mares.
E iria viver
em outro espaço.

Eu te veria partindo
mas talvez
Eu te encontraria sorrindo.

Eu, Raquel

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Onde ela está

Talvez fosse bom abstrair os problemas que vem de dentro para conseguir enxergar apenas a insanidade que está aí fora. Mas não consigo esquecer a alma, a dor e o amor. Não consigo deixar de pensar no que poderíamos estar fazendo de bonito não fosse tudo o que não fazemos. Não consigo, nem posso ser linear.
Tudo aquilo que não é complexo, que não é profundo sentimento. Tudo aquilo que está na margem do ser ou do estar não me atrai os olhos nem os pensamentos. E é por isso, simplesmente por isso, que sou feliz.
Engraçado falar em felicidade nestes tempos. Mas aí ela está! Ela está na lágrima do desespero, no escuro da desilusão, no rancor da perda, na flor morta, no delírio do amante. E nada disso é fácil.
Não faço a mínima idéia de porque somos diferentes, porque uns amam, outros choram, porque alguns andam e outros correm. Eu não sei. Eu só sei que amo. Apesar e além de tudo o que percorro e vejo. E é isso aí, e é bola pra frente, e é amar o errado, e é sentir o vazio. È precisar deste espaço, errar, e dar um passo. É também se contorcer pela a angústia, que vem desde o estômago, parar, senti-la e continuar. E eu juro, não cheguei a desejar que este fosse um trajeto linear.

Eu, Lu