quinta-feira, 4 de junho de 2009

Irreverência do vazio

Estava um puta frio. Coloca a malha, veste o blazer, a calça. Coloca a meia, o sapato. Malha descombinando. Tira o blazer, troca a malha, coloca o blazer, se penteia.

Sai de casa naquele frio, fazer o que. O carro não pega, vai de ônibus. Beleza, exercício do dia nestes tempos em que não há tempo para fazê-lo de outra forma. Escuta uma música. Terminal Santo Amaro, passa. Rua Augusta, cheio. Terminal Capelinha, passa. Ibirapuera, entra apesar de cheio também, porque com aquele frio não dava mais pra ficar esperando. E dá-lhe calor humano. Que porra de rotina e ainda com aquele tempo de merda. O ônibus subiu a rua errada, claro, porque é sempre assim. Fica escolhendo igual um idiota para entrar no selecionado, dá merda, porque aquela porcaria daquelas indicações de rua na sua lateral, ele não conhecia nenhuma. Servia sabe-se lá para quê, pegava o ônibus numa roleta russa mesmo, para aumentar a emoção.

Ai, aquele trabalho. Aquela sala quente, de infra-estrutura dos trópicos. Queeeeente de bode. Internet na primeira horazinha. Avião achado. Cantora estressada. Caixa-preta do avião. Coréias. Avião. Obama. A porra do avião de novo. Mas que catzo que não há mais o que se falar sobre. E passa tempo, passa o tempo, passa email, passa o chefe. Pára o chefe, pessoas olhando, olhos de rabo de olho. Diretor, colega, passa. Tudo igual. Café. E passa o tempo.

Passa o tempo. Tempo. Num pensamento inebriado por sonhos, causas e utopias. Dura pouco.

Chama um, chama aqui, não encontra. Atende aquele infernal daquele telefone que não pára de tocar. Engano. Porque em crise o telefone só toca por engano. Desliga. Internet. Navega, lê, procura, acha. Lê. Tédio. Bate 17h35. Sai. Frio. Um puta de um frio que não se sente na bufa de pensamentos, corpos e tensões dentro daquele aquário onde estava metido. Na rua vai correndo para o próximo compromisso, uma aula, uma reunião, um encontro, o que for. Nenhum dia há nada o que se fazer depois. Não há calma com a qual possa se andar.

Então desce rápido naquele frio enorme a rua íngrime, esbarra em um, diminui o passo, canta. Aperta o passo. Gente caminhando na mesma direção, rumo a sabe-se lá onde, sentindo-se cada qual, sabe-se lá como. Não tem oi, não tem tchau, não tem reconhecimento algum. Sacos de batatas em direção a lugar algum do mundo que não seja igual. Sentimento. Sente. Atravessa a rua, vê, canta, diminui o passo. Terminal Santo Amaro. E dá-lhe aquela inversão térmica da porra de bufa de gente tudo igual, saco de batata. Agora ainda mais saco de batata, dentro daquele ônibus entupido de gente cansada. Fudidos. E dá-lhe uma bela aula de snowboard com aquele filho da mãe daquele motorista que leva sacos de batata para suas casas. Em frente, um passo, fura o mar de gente, se aperta, dois passos, porta. Se esmaga, espera. Desce. E não precisa mais nem falar do puta frio.

Corre, campainha, entra, tira o blazer, tira a malha, tira a calça, veste a outra, coloca o moletom, saí correndo, corre, música, pensa, vê, sente, canta, corre, pára.

Atravessa.

Corre, canta, vê, corre, sente, passa, canta, volta, pára. Campainha. A pessoa do outro lado da porta não o reconhece. Vim buscar meus livros que emprestei para Ana. Mas a Ana não separou nada para te entregar. Filhos da puta daqueles amigos sem palavra que se tem na vida. E volta, anda, canta, corre, sente. Campainha. Mais um dia.

Ou menos um. Para que e Para onde.

O sorriso do idiota é o mesmo que o do esperto no fim. Diferem-se apenas pelo fato de que um o dá, o outro o vende.


Eu, Sassá

terça-feira, 2 de junho de 2009

Crônica da Juventude

Conversa de uma Jovem Desamparada

Gentêêê!! Pelo amor de Deus, qual é, afinal, o meu problema?!?!?!
Veja bem. Eu, a Maria e a Camila, praticamente acabamos com uma garrafa de vodka na minha casa. No entanto, na balada, pelo menos eu, não bebi mais nada... Mas, porquê, mesmo assim, não me lembro de absolutamente, quase nada?!?!?!
Estava cá comigo tentando lembrar como beijei o carinha, quero dizer... o primeiro beijo, como foi, o que ele disse, ou se simplesmente foi... Bem..., não me lembro.
O que nós conversamos, não me lembro.
Estava aqui tentando lembrar se mais beijei ou se conversei, mas não me lembro.
Como ele foi embora, não me lembro. Se fiquei um pouco com as meninas na balada, ou se fiquei só com ele, mas não me lembro. Se ele conversou com vocês, se foi simpático, se me falou coisas legais, mas... NÃO ME LEMBRO!!!
Será que eu estava bêbada?!?! Pois é... não me lembro!!
Mas, de duas uma... ou sofro de graves problemas de disfunções encefálicas, que atingem meu cérebro e minha massa cerebral destruindo meus neurônios, impossibilitando qualquer desenvolvimento melhor da minha placa memorial, ou... talvez estivesse apenas bêbada mesmo.........!!!! Bom, mas daí decorre outro problema. Se eu estava só bêbada, aí acho que realmente estou alcançando um nível mais avançado e evoluido, afinal, parecia ter controle de todos os meus atos e não estava me sentindo (nem um pouco) bêbada!!!!!! Legal, legal!!!
Mas acho que talvez seja só bebice mesmo, porque agora vagamente estou me lembrando do meu estado no domingo. Estava meio abobadinha... sem ressaca, mas bem abobada, rindo de tudo, sabe......
Beeem... outro problema.... melhor eu nunca "dar" bêbada, né...!!!! Imagina..... imagina se na minha primeira vez, estiver bêbada...! A segunda vai ser como se fosse a primeira..... e aí eu vou acabar virgem pro resto da vida, credo!!!!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Porque

Era tarde da noite e ela estava chorando havia já uma hora. Chorava pelo que estava deixando, e pelo que estava por vir. Chorava de desespero, de alívio, medo. Ela chorava ininterruptamente, de amor. Haviam passado anos maravilhosos e difíceis. Haviam se amado como nunca pensaram ser possível, com verdade. Mas o tempo destruía mais uma criação humana. Corroia-lhe a dor do amanhã e a vontade pelo ontem. E os sentimentos belos ficaram no caminho.
Julia tinha dito num jogo aberto de amor tudo o que queria. Embora não o quisesse dessa forma, disse, por tudo o que viveram, tudo o que ainda queria ver-lhe fazer. Sonhava com os dias de uma vida somente sonhada, cultivada com o carinho necessário para superar os obstáculos da realidade e da rotina. Mas os sonhos, muito embora possam ser compartilhados, não são divididos, não em partes iguais de vontade pelo menos. Foi quando viu que deveria partir. Sem foco, mas com rumo. Não poderia ficar.


Querida, eu não posso fazer.
Querido, eu não posso mais ouvir.

Assim compartilharam os momentos mais bonitos. Mas as vontades da alma nem sempre são as mesmas do coração. Quando os sonhos se distanciam daquilo que esperávamos que fossem ser, então algo se rompe de forma indelével. Algo nunca mais volta.


Eu, L