segunda-feira, 4 de maio de 2009

Revestimento

Estava prestes a cometer o suicídio
Assassinar a minha memória
Esquecer aquela sensação
O desespero daquele não
A vida sob sua custódia

Eu queria rir igual idiota
Queria sair na chuva
Correr no campo
Parar de sofrer
Olhar para o agora

Mas nessa vida besta
Ah! Minha vida besta!
Nessa besta vida
Eu não fiz nada disso
E agora me mandam cartas

Cartas de amor, de adeus e de saudades
Cartas que remetem a algo
De palavras doces de um ser contente
Que pede perdão

Eu não perdôo o vento
Eu não tenho mais chão
Não posso perdoar
Quem não teve meu coração

Eu, Sassá

sábado, 2 de maio de 2009

O que não teria deixado

Eu quase morri sem nunca ter feito nada do que imaginava que fosse fazer no decorrer da minha vida. Quase morri sem nem ter vivido!!!
No doce fim da minha juventude e início da minha vida madura, da minha vida dura, eu quase morri. Iria embora sem ter fixado meus pés na terra, sem ter doado meu coração, sem ter feito a maior loucura e sem ter sentido a maior dor. Eu morreria sem nunca ter dito eu te amo, sem nunca ter sequer entendido o sentido de estar viva.
"Aqui jaz uma jovem mulher que acreditou ter vivido, coitada...! Foi-se jovem e não mulher" , meu epitáfio. Mas não basta acreditar... é preciso viver.
Morreria procurando minha alma, minha essência, e tentando entender, buscando crescer, ando, ando, ando.... Teria morrido completando muitos verbos no gerúndio.

Eu teria morrido com mil planos em construção e nenhum deles concluído. Teria morrido com o coração cheio de vontades, mas teria morrido sentada, no máximo andando em direção à minha rotina.

Quando for a hora de morrer, espero ter ao menos agradecido. Espero ter demonstrado meu carinho, espero ter demonstrado o quanto foi bom estar por perto, ter convivido, ter conhecido. Espero ter te passado algo de bom e completado com você pelo menos um verbo no pretérito.

Eu, Luluzinha